EUROCLUSTEX

O sector na Euroregião


O Norte de Portugal e a Galiza representam a nível peninsular e europeu, duas das realidades sectoriais mais ricas e representativas na fileira têxtil/moda. Representam fisicamente duas concentrações geográficas de empresas e centros de competências, com especializações bem ancoradas territorialmente. 

A Região Norte conta com uma fileira têxtil/moda fortemente suportada na sua capacidade e especialização produtivas, enriquecida com know-how de muitas décadas, e assistida por centros de competência de grande valia, como são o CITEVE ou o Centro de Formação Profissional (CITEC). Possui, pois, uma vantagem competitiva em relação aos países europeus, que foram perdendo indústria e desagregando a fileira têxtil, aqual se traduz, no território do Norte, na presença de 3.885 empresas têxteis e 8.257 empresas vestuário (dados INE, 2007) e de aproximadamente 140.000 trabalhadores.
A Galiza, por seu lado, desenvolveu competências no domínio da criatividade e do design, mas, particularmente, no domínio dos modelos de negócio da distribuição e do ponto de venda. Na Galiza coexistem, segundo dados do IGE (2007), 479 empresas têxteis e 1.383 empresas de vestuário, com uma forte concentração em Pontevedra e Corunha. O sector emprega 19.665 trabalhadores (dados INE, 2007).

Nas duas regiões, verifica-se uma sobrerepresentação de micro e pequenas empresas. São duas realidades fortemente integradas, no que se refere a trocas comerciais. As importações de têxteis e vestuário com origem na Galiza representam 37,9% do total das importações portuguesas, destes sectores, com origem em Espanha. Por outro lado, as exportações portuguesas de têxteis e vestuário, que têm como destino a Galiza, representam 35,7% do total das exportações com destino a Espanha. No que se refere às trocas comerciais entre Portugal e a região da Galiza, o destaque é assumido pela sub-região de A Coruña, quer ao nível das exportações (sendo responsável por mais de 84% das exportações de têxteis e por mais de 92% das de vestuário) quer das importações (62% das importações de têxteis e mais de 83% das de vestuário). É ainda de salientar o valor bastante superior das exportações e importações galegas de vestuário, relativamente aos têxteis, cuja proporção é mais do dobro.
A indústria têxtil e de vestuário localizada no Norte de Portugal, possui uma dimensão significativamente superior à localizada na Galiza abrangendo mais áreas de atividade e apresentado uma densidade de empresas bastante superior. No que se refere à divulgação e reconhecimento das marcas, a Galiza apresenta dois aspetos diferenciadores: o associado com a presença do Grupo Inditex, cuja concentração no território da Galiza, confere uma elevada expressão ao sector galego e com a presença de um conjunto restrito de empresas, com imagem e reconhecimento internacional, e uma forte componente de moda.
Já em termos de abertura internacional, o sistema produtivo português apresenta uma maior abertura ao exterior, fruto da exiguidade do mercado interno e de um histórico importante de abertura internacional. Existe, pois, uma mais rica tradição exportadora. Na Galiza, com a exceção da Inditex e de alguma grande marca de prestígio, as empresas são mais dependentes do mercado interno e possuem uma menor tradição exportadora.

(Fonte: Euroclustex - Análise da indústria têxtil e vestuário no Norte de Portugal e Galiza: consolidação da complementaridade do cluster transfronteiriço na Euroregião, 2010)


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